quinta-feira, janeiro 20, 2005

evidente vacuidade do nome

Escorre uma ironia nos
teus lábios de marfim, desequilíbrio entre
o verdadeiro prémio e a glória que roubas –
fazes-te julgar na posse do que
lamentamos perder, e não tens mais
que um nome vazio – vazio o teu nome.

Não mora ninguém onde exaltas o negro
no teu olhar (não se reflecte nenhum pavor,
ninguém te segue, auto-proclamado e mudo oráculo).

Julgas conter o que anulas. Finges absorver
até o que pelo devir é dissipado em vida maior. Reverbera
em ti apenas o eco do nome. O eco vazio, repetido
à estridência – camada de nada sobre som nenhum.

Jan.20.MMV

(in a geometria da inexistência)

2 comentários:

Anónimo disse...

Estou a acompanhar-te com muita atenção. Muita mesmo.

Beijo :)

Sandra
(http://www.void.weblog.com.pt)

Maria do Rosário Sousa Fardilha disse...

... ou a estética do desprezo.