segunda-feira, julho 25, 2005

andorinha sem paixão

há muito a morte chamo
mas é tão grande o pavor
da imensidão de vazio e de mais nada
tivesse agora uma religião
em que cego mergulhasse
o temor não seria tanto
para isso servem Deus
e os anjos e os sonhos
cegam e abrem porta de perdição
com fé nada ficaria
desse temor bisonho
desse obstáculo à coragem
a queda seria corrida
em direcção ao infinito
o vazio eterno planície
nessa morte não receada
os olhos adormeceriam
a alma já lá estava
tão rápida a transição
do medo ao desejo
nem um feixe de luz
poderoso esse Deus
“amarás o que temes
morrerás enquanto sonhas”
que a fé venha longe
cavalo sem asas
andorinha sem paixão.

07.01.00

(in despojos de lume e de medo, 2000)

1 comentário:

catarina disse...

"imagine what my body would sound like
slamming against those rocks

and when it lands
will my eyes be closed or open?"
björk

era bom, não era (amar o que se teme, morrer enquanto se sonha)?...
e a ideia de Deus, sempre um encosto tão confortável para a alma...

eu preferia que estivessem abertos.
beijo.