quinta-feira, maio 05, 2005

dádiva


é sempre daqui que se olha
para o reflexo
sempre donde não nos vemos
mas intuímos

e sempre nos surpreende
a brancura
sempre a luz nos ofusca
aura intensa

é sempre daqui que nascemos
para o mundo
sempre os olhos abertos inúteis
quase cegos

sempre que o céu cai digno
sobre a morte
e sempre que o som do grito
atroz ecoa.



01.02.04
(in horizontes de ouro, 2004)

7 comentários:

JFC disse...

eu gosta!

Alirka disse...

e quando se perder a luz, onde é que os meus olhos vão poisar? talvez naquele galho mais adiante, mais adiante que o sonho e que a lua que já não se pode ver...
*beijo*

Amélia disse...

Bonito o teu poema - bonito o comentário de alirka...

hfm disse...

Dolentemente belo!

"sempre donde não nos vemos
mas intuímos"

mjm disse...

(fiquei aqui parada a reler e - acredita! - o meu silêncio é superior ao meu melhor comentário)

pipetobacco disse...

{ … nunca aqui tinha estado … gostei de ler-te … abraço … © .8. … }

José Alexandre Ramos disse...

aqui senti a qualidade de quem escreve por necessidade e não para se mostrar (que eu não esteja enganado...). será leitura diária.

abraço.