meu amor de lume fresco
e claridade ardente
lírio pintado a sombras e
sepultado num bloco velho
meu delírio de sonâmbulo
vulto que projecto na noite branca
contra a luz do meu luar
meu amor inumano e
eternamente triste,
desnuda-me uma última vez
quero banhar-me no ácido da tua bondade
inventa para mim outra canção
que grite mais alto que a esperança
dilui-me no teu tempo à medida eterna
da imaginária morte antiga
leva-me a ver o mar de baixo para cima
enclausura-me num rochedo submerso e
canta luz para mim, difusa, difractada,
como os sonhos que ajudaste a apagar,
meu amor de lume fresco
e claridade ardente
trinta: 06, MMVIII