partiu
uma parte demasiado grande de mim
para que outras palavras aqui tenham lugar
neste momento
aguardarei que a paz regresse
depois do choque e da tristeza profunda
partiu um irmão
partiu um amigo
partiu muito de mim
que só aquele coração guardou fielmente
a ti, Francisco, querido, que amei tanto,
continuarei a amar
até que as nossas almas
entoem de novo em uníssono
uma canção do festival ou
outra alegria qualquer.
fui muito feliz contigo na minha vida.
segunda-feira, novembro 12, 2007
segunda-feira, novembro 05, 2007
4º andamento
II
do lugar de quase aqui para cá
não se vê mais do que o vento a
dobrar em dois o mundo
parece tempestade, mas são só
palavras de tédio de quem mora,
mário, entre um lugar e aqueloutro.
do lugar de aqui para quase lá
não se vê mesmo mais nada
senão o azul quieto quando
os olhos se fecham de noite
do lugar de quase aqui para cá
não se vê mais do que o vento a
dobrar em dois o mundo
parece tempestade, mas são só
palavras de tédio de quem mora,
mário, entre um lugar e aqueloutro.
do lugar de aqui para quase lá
não se vê mesmo mais nada
senão o azul quieto quando
os olhos se fecham de noite
terça-feira, outubro 09, 2007
4º andamento
I
não te lembras de certeza, mas foste já cristal
num rio de aurora sem nuvens
antes de outonares em ocres e terras queimadas
em sombras e tons pastel, foste a suspensão
da própria cor.
talvez disso te recordes, teres sido vulto de névoa
sobre planície de lençóis cálidos
para te avivar a memória deixo uma canção
sem letra nem melodia, somente o olhar
que a trauteia.
não te lembras de certeza, mas foste já cristal
num rio de aurora sem nuvens
antes de outonares em ocres e terras queimadas
em sombras e tons pastel, foste a suspensão
da própria cor.
talvez disso te recordes, teres sido vulto de névoa
sobre planície de lençóis cálidos
para te avivar a memória deixo uma canção
sem letra nem melodia, somente o olhar
que a trauteia.
quarta-feira, setembro 26, 2007
quinta-feira, agosto 09, 2007
segunda-feira, agosto 06, 2007
XII
olhei para trás uma vez apenas
e a vertigem desapareceu
a memória é um relógio
com cada ponteiro para seu lado
viveste no preciso instante
em que se cruzaram
à meia-noite
morri às seis e meia
lembras-te?
e a vertigem desapareceu
a memória é um relógio
com cada ponteiro para seu lado
viveste no preciso instante
em que se cruzaram
à meia-noite
morri às seis e meia
lembras-te?
quinta-feira, agosto 02, 2007
terça-feira, julho 24, 2007
quarta-feira, julho 18, 2007
quarta-feira, julho 11, 2007
VIII
não é só a tua voz
que me impede
de morrer
a metamorfose
não tem timbre -
e não seria o teu
não és nenhuma
das minhas sete
trombetas
que me impede
de morrer
a metamorfose
não tem timbre -
e não seria o teu
não és nenhuma
das minhas sete
trombetas
quarta-feira, julho 04, 2007
domingo, julho 01, 2007
quarta-feira, junho 27, 2007
domingo, junho 24, 2007
domingo, junho 17, 2007
terça-feira, junho 12, 2007
quinta-feira, junho 07, 2007
I
cai
uma noite tão grande sobre
o mais completo
silêncio
derruba o luar
dali abaixo
e estende-o ao largo
do desejo
(fim de quase
tudo o que não
merece morrer
hoje)
uma noite tão grande sobre
o mais completo
silêncio
derruba o luar
dali abaixo
e estende-o ao largo
do desejo
(fim de quase
tudo o que não
merece morrer
hoje)
quarta-feira, maio 02, 2007
no mar, a madrugada...
domingo, abril 29, 2007
espera
é como um fogo,
o silêncio – uma
opressão no peito
um suspiro trémulo
(o vazio espectral
uma alma doente
como um eco surdo
em gruta sem saída)
nem o vento assobia
nem o ar rumoreja
entre as árvores
nem o lápis sabe
para onde ir já
apenas uma espera
... um silêncio a incinerar ...
apenas um silêncio
29.07.03
(in 2/3 e outros poemas, 2003)
o silêncio – uma
opressão no peito
um suspiro trémulo
(o vazio espectral
uma alma doente
como um eco surdo
em gruta sem saída)
nem o vento assobia
nem o ar rumoreja
entre as árvores
nem o lápis sabe
para onde ir já
apenas uma espera
... um silêncio a incinerar ...
apenas um silêncio
29.07.03
(in 2/3 e outros poemas, 2003)
terça-feira, março 27, 2007
2
a luz morna sobre um
olhar fechado
revela-se parca para
o desvendar da inefável
película de sonho que
espreita pelas narinas
quietas quase tranquilas
12.05.03
(in um barco de papel para Afrodite, 2003)
