nunca mais choraste
como se o mundo
uma lágrima fosse
domingo, julho 01, 2007
quarta-feira, junho 27, 2007
domingo, junho 24, 2007
domingo, junho 17, 2007
terça-feira, junho 12, 2007
quinta-feira, junho 07, 2007
I
cai
uma noite tão grande sobre
o mais completo
silêncio
derruba o luar
dali abaixo
e estende-o ao largo
do desejo
(fim de quase
tudo o que não
merece morrer
hoje)
uma noite tão grande sobre
o mais completo
silêncio
derruba o luar
dali abaixo
e estende-o ao largo
do desejo
(fim de quase
tudo o que não
merece morrer
hoje)
quarta-feira, maio 02, 2007
no mar, a madrugada...
domingo, abril 29, 2007
espera
é como um fogo,
o silêncio – uma
opressão no peito
um suspiro trémulo
(o vazio espectral
uma alma doente
como um eco surdo
em gruta sem saída)
nem o vento assobia
nem o ar rumoreja
entre as árvores
nem o lápis sabe
para onde ir já
apenas uma espera
... um silêncio a incinerar ...
apenas um silêncio
29.07.03
(in 2/3 e outros poemas, 2003)
o silêncio – uma
opressão no peito
um suspiro trémulo
(o vazio espectral
uma alma doente
como um eco surdo
em gruta sem saída)
nem o vento assobia
nem o ar rumoreja
entre as árvores
nem o lápis sabe
para onde ir já
apenas uma espera
... um silêncio a incinerar ...
apenas um silêncio
29.07.03
(in 2/3 e outros poemas, 2003)
terça-feira, março 27, 2007
2
a luz morna sobre um
olhar fechado
revela-se parca para
o desvendar da inefável
película de sonho que
espreita pelas narinas
quietas quase tranquilas
12.05.03
(in um barco de papel para Afrodite, 2003)
quinta-feira, março 08, 2007
impromptu II - receituário
cada hora de solidão, um milénio de serenidade
cada minuto de olhos abertos, eternidades vazias de luz para não ver, não...
cada passo, léguas que não levem a destino algum
cada suspiro, golfadas de ar para que voe como um balão e veja a vida lá de cima e veja se percebe alguma coisa do mapa
cada olhar de angústia, um telescópio donde possa ver a sua alma a preto e branco como nas fotografias dos mortos
cada vez que acorda, ver o nascer de uma estrela
cada vez que adormece, ver a morte de uma flor
cada vez que adormece, ver a morte de uma flor
(preciso de mim, e não sei onde me perderam)
08.01.02
(in despojos de lume e de medo, 2002)
domingo, fevereiro 18, 2007
impromptu I - introspecção
sou um espelho sem forma fixa
sou uma luz sem sombra constante
sou um deus sem obra criada
sou uma esfera sem perfeição
sou perfeição sem divindade
sou o que construo do mundo em mim
sou o que o mundo destrói em mim
sou o afecto que não sentes
sou o que sentes no lugar do afecto
sou o vazio que deixas quando aprendes a viver
sou o peso do que me deixas quando queres morrer
sou um em mim e tudo sem mim
sou assim
16.12.01
(in despojos de lume e de medo, 2001)
(in despojos de lume e de medo, 2001)
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
sem título
palimpsesto infinito
rubor sobre a alma
inconsequente memória
acto leve sob a espuma
(in mar branco, nudez insular, 2005)
rubor sobre a alma
inconsequente memória
acto leve sob a espuma
(in mar branco, nudez insular, 2005)
terça-feira, fevereiro 06, 2007
sem título
inócuo contemplar
ausência anódina
subjectividade anónima
vicissitudes do ínfimo olhar
(in mar branco, nudez insular, 2005)
ausência anódina
subjectividade anónima
vicissitudes do ínfimo olhar
(in mar branco, nudez insular, 2005)
sábado, janeiro 27, 2007
2º andamento
V
será dia e o vento
fechará o céu à
chave - não mais
deixará o sol o mundo
neste torpor insano.
será dia e o vento
fechará o céu à
chave - não mais
deixará o sol o mundo
neste torpor insano.
quinta-feira, janeiro 18, 2007
domingo, janeiro 14, 2007
2º andamento
III
repicam a dobrar
por ninguém (sim, ninguém
transpôs o belo),
mas a tristeza ecoa
de reverberação em reverberação
repicam a dobrar
por ninguém (sim, ninguém
transpôs o belo),
mas a tristeza ecoa
de reverberação em reverberação
segunda-feira, janeiro 08, 2007
#17
por exemplo, o frio perguntava as horas e o coração não sabia o tempo, discurso cego e incontornável, por exemplo, o saber que não se sabe o tempo, pensava o coração, é a brecha por onde espreita outro pulsar, outro ritmo. por exemplo, o reflexo demorava-se e a forma ficava oca de exterior, absurdo já antigo, ser-se órfão do mundo. não! não tão poético – ser oco de exterior, estar sempre com o avesso de fora, não saber onde existirá alguma coisa, por exemplo, ou de que lado virá o sol amanhã. ah! amanhã e é já um vislumbre de intuição do frio ao perguntar as horas, lágrimas do tempo derramadas em vão. por exemplo, uma casa vazia, de tudo, de janela a janela só o sol que ali vive por minutos, como uma explosão que se extingue em silêncio, uma casa vazia de sentido. porquê uma casa então? gruta, ou nem tanto, memória tridimensional, por exemplo, ilha em negativo onde o mar ecoa com timbre pobre e seco. à noite as paredes perguntam ao frio quando é que o mundo volta, e o frio vem ter comigo, por exemplo, confiante na minha ignorância.
xii. 13.MMVI
xii. 13.MMVI
quinta-feira, dezembro 28, 2006
2º andamento
II
a manhã verte lume
no coração do medo (inóquo
e misterioso) de
um dia mais vazio
que o último.
a manhã verte lume
no coração do medo (inóquo
e misterioso) de
um dia mais vazio
que o último.
sexta-feira, dezembro 22, 2006
#16
por exemplo, caía uma árvore sem razão e deus ria-se. de quê?, ninguém se atrevia a saber; saberia-o a árvore se tivesse de o confessar, mas a solidão era um estigma silente. vinhas ao longe... não! já não vinhas. eram imagens, por exemplo, miragens, talvez, imaginário podre e incerto. por exemplo, a chuva suspendia o gesto hiperbólico e sorria no ar. não! deus não se ria agora. só o ser humano se ria da morte. deus só se ria da ordem do mundo, por exemplo, e da perfeição. aplanavam-se as colinas em forma de mulher robusta e deus corava. a memória de deus não era infinita mas pouco faltava para poder nomear todos os corpos esculpidos na orografia terrestre, por exemplo, ou cada um dos recantos sumptuosos e idílicos do fundo do mar. inundavam-se os recessos da alma com correntes de pensamentos livres e deus morria. verdejavam no labirinto verde do espírito ideias de mundos possíveis e deus morria. orvalhavam-se as manhãs da mente em gotas de futuro límpido e deus morria. não! o homem nunca se ria da morte de deus.
xii.09.MMVI
xii.09.MMVI
quinta-feira, dezembro 14, 2006
2º andamento
I
afastou-se o mar
de encontro a nós
(de pedra
frágil e inerte -
lágrimas de fora
para dentro do
cansaço)
afastou-se o mar
de encontro a nós
(de pedra
frágil e inerte -
lágrimas de fora
para dentro do
cansaço)
