terça-feira, novembro 21, 2006

# 13

por exemplo, quando chove no coração e é sempre inverno em nós, ou o tempo desliza para fora da pele e somos suspensão sem atrito nem massa, sem matéria nem corpo, sem nome nem traço distintivo, por exemplo, quando o próprio pronome pessoal nos repele e se recusa a sublinhar uma qualquer identidade, ou melhor, uma qualquer alteridade. por exemplo, um apelido sem ascendência, uma herança sem herdeiros, uma ponte sem quaisquer margens, um rio sem foz e de nascente incerta, maré sem direcção, leito sem curso, seco como o coração dos outros, que Agostinho dizia ser sempre de noite para nós, e afinal é sempre verão sem a chuva que atola as planícies do nosso. por exemplo, quando não estamos já no lugar onde o olhar de alguém repousa, quando a voz que emitimos percorre o labirinto do mundo, e regressa à nossa solidão, intacta como antes da primeira vogal, por exemplo, ou como no próprio instante do nascimento do desejo de ser fala, discurso, viagem, travessia aos antípodas de nós, sem o risco da estranheza nem o sorriso do reconhecimento.

xi.21.MMVI

segunda-feira, novembro 13, 2006

contos inconjuntos

III

Dezembro amanhecia.
Levantou-se apenas para ir à casa de banho e voltou para dentro da cama. A noite e o quente refugiavam-se dentro do quarto, por detrás das gelosias fechadas, dentro dos lençóis, contra a teimosia do frio lá fora. O Vasco já havia saído há algumas horas, ainda no ventre da madrugada, mas Margarida acordou só com o tique-taque da bexiga, ou com o chamamento do próprio dia. Dezembro amanhecia mas não era para ela por agora. Agarrou-se à almofada do lado, menos quente já mas ainda acolhedora. O cheiro da noite era inebriante. O sonho interrompido tentava invadir a luz emergente e devolver Margarida à penumbra dos desejos transfigurados – em menos de dez minutos ela dormia de novo, estátua sob o manto, a respirar suavemente.
Acordou e dirigiu-se à casa de banho outra vez, com a leve sensação de que algo se repetia infinitamente naquela manhã, afinal em tudo igual às outras. De caminho, em bicos de pés, viu-se fugidia no espelho do quarto, e murmurou um bom dia sorridente, por debaixo da máscara de sono que ainda lhe ocultava as feições naturais. Sentada na sanita pensava ‘hoje tenho de acabar o terceiro capítulo’. Limpou-se, levantou-se e preparou o duche. Resmungou qualquer coisa a propósito das calças do pijama do Vasco no chão da casa de banho, e perguntou-se onde é que teriam ficado esquecidas as cuecas desta vez. Acabou por descobri-las atrás da porta, atiradas com certeza em gesto aleatório ou, pelo contrário, como que escondidas, naqueles comportamentos imperscrutáveis que as mulheres surpreendem nos seus companheiros. Por detrás da contrariedade manifesta no resmungo, nasceu um sorriso apaziguador que já conhece.
Preparou um sumo de laranja e um café para acompanhar as torradas. ‘Hoje não saio de casa’, comprometia-se consigo mesma enquanto ia desenhando mentalmente o dia à medida tanto da necessidade como do desejo. Sentou-se na varanda ainda molhada, a acabar o sumo e a contemplar a manhã já crescida. Pensou no Vasco e numa manhã distante em que o frio os tinha feito aproximar, desconhecidos então, talvez tanto como, apesar de tudo, continuavam ainda a ser. ‘Todo o tempo é sempre tão pouco e demais’, pensava. Agarrava-se a estes flashes que as primeiras associações mentais traziam, porque sabia que o texto tinha de nascer no seio destes impulsos encriptados pelo inconsciente. Forçava-se a uma liberdade de pensamentos que não tinha. Desejava uma fluidez que desconhecia em si mas para a qual intuía dirigir-se se desse os passos certos, ou pelo menos se evitasse os atritos que têm atrofiado a sua escrita. Era de memória viva que esperava ver surgir em fluxos irreprimíveis, a sequência de imagens, eventos, diálogos com que povoaria o seu romance. ‘Mas qual romance?!’
Nesse momento, ao enunciar com raiva esta dúvida, sentia a emoção escorrer dentro dela num apelo às lágrimas que aí vinham. Perguntar ‘Qual romance?’ a propósito da rarefacção da sua escrita, era um prelúdio a inquirir ‘Mas que vida?’. No entanto, sabia que era injusto perguntar aquilo. Interrogava-se sim porque é que em qualquer fase da sua vida havia questionado assim o seu destino, as suas escolhas, o seu mundo, o seu presente. Porquê? Afinal rodeava-a tanta beleza e dignidade, tanta felicidade espalhadas pelas horas. Porquê então este permanente e inquietante suspirar por algo diferente, algo melhor. Melhor, como, em quê? O que quer que fosse, só dependia da sua noção de liberdade. E a sua própria noção de liberdade estava num ponto muito próximo do zero absoluto. Não a liberdade em si mas o sentido da sua realização. Esse paradoxo era canónico, mas em Margarida assumia os contornos de uma espécie de punição, de uma expiação submersa num passado que quase já não reconhecia mas intuía mais poderoso do que a razão conseguia conceber. Se isto fosse o seu romance...
Depois de almoço pensou em vestir-se para sair, mas hesitou e acabou por decidir ficar em casa o resto do dia e, quem sabe, à noite pudesse reler o produto dessa reclusão forçada e sentir-se orgulhosa. Ligou ao Vasco para solidificar esse auto-imposto sacrifício, tornando-o evidente ao mundo exterior. Ele não atendeu. Nem podia. O beijo de boa noite que haviam trocado na noite anterior quando ela se deitou, ainda cedo, para não comprometer a resolução de aproveitar o dia seguinte, foi o último gesto que os uniu, foram as últimas palavras que proferiram, foi a última imagem que registou do homem que, horas mais tarde, seria obrigada a reconhecer no corpo encontrado sem identificação naquele quarto impessoal, misteriosamente familiar, como pôde sentir com surpresa e repulsa quando morbidamente quis penetrar no antro das quatro paredes vazias que assistiram ao fechar daquele capítulo da sua vida.

nov.11.MMVI


(NOTA: noutro lugar, a morte de Vasco aqui referida é descrita como tendo sido a morte de Vicente. Não é gralha, nem é inocente esse deslocamento narrativo)

sexta-feira, novembro 10, 2006

#12

por exemplo, uma inscrição no tronco morto de uma árvore, com a ilusão de perenidade que tudo o que vive oferece; por exemplo, uma inscrição num grão de areia, lembrando Blake, por exemplo. rabiscar uma anotação de rodapé num livro que não é nosso, trautear baixinho em uníssono com os violoncelos em pleno concerto, por exemplo, uma inscrição inconsequente, morta como o tronco de uma árvore onde um nome e outro nome e uma seta e um esboço de coração de golpes de navalha, por exemplo, um coração feito de ângulos agudos, desajeitados em contraste com a perfeição do sentimento instantâneo dos nomes inscritos.
desenhar no ar com os dedos, em danças coordenadas com o olhar, o contorno de uns lábios que se movem inconscientes do ritual. pisar de novo o verde sobre o qual alguém flutuou, por exemplo, depois de um encontro secreto.
ser eco de um grito calado. recordar em vão todos os detalhes de um momento assaz insignificante. projectar no futuro os sonhos de quem fomos quando éramos outros, permanentemente esquecidos. por exemplo, morrer à nascença ou, o que é o mesmo, no mais completo alheamento que a senilidade autoriza e protege.

xi.10.MMVI

quinta-feira, novembro 09, 2006

sem título

tempo intuição
projecto desgovernado
imprevisível refúgio
de e para dentro de deus


(in mar branco, nudez insular, 2005)

terça-feira, novembro 07, 2006

1º andamento

III


virá o azul inundar o leito seco da
tua forma de cristal, será fugaz mas
indelével como vento soprado num conto
lido à lareira; não extinguirá o lume
mas a ideia infernal; não arrastará as
árvores altas - fechará os meus olhos
como brisa sobre a penugem de uma
gaivota recém-nascida, como hálito
inspirado antes do primeiro beijo;
assim o azul verterá sobre o
deserto a tua paixão revivida na
penumbra de um dia sem noite.

virá a memória líquida dos corpos
calibrar o fiel onde todas as sensações se
comparam e reduzem a uma contínua
e subtil repetição de instantes primordiais
- a dor, o desejo, a angústia e o
alívio de todos os parágrafos perfeitos.

vii.11.MMVI

domingo, novembro 05, 2006

X.




(“... quando tu próprio és o espelho e a réplica
dos que não atingiram o teu tempo...”
Jorge Luis Borges)



... e da ilusão aceitaste o espelho
e do reflexo fizeste a obra

milagre profano da morte da ideia

(da ideia amortalhada em partituras vãs)


...e aos que não te ouviram
o tempo quebrou o tempo

01.03.02
(in instantes de perplexa aprendizagem, 2002)

sábado, outubro 28, 2006

#11

por exemplo, uma quase-morte. não! por exemplo, um pretexto para sorrir. assim está melhor, uma ideia de tempo, de um olhar e ter espaço por onde espraiar a consciência, sim! por exemplo, um direito adquirido por uma bagatela, por uma humildade reconhecida. porque se disse uma quase-morte quando se queria pronunciar um sorriso? por exemplo, quando uma ideia de tempo se forma antes de a sabermos expressar num gesto e temos a urgência de a transformar em som, em signo, em símbolo, a urgência de a matar, não! não a matamos. ah! uma quase-morte, a da ideia que exige ser explodida para fora da nossa compreensão, e não nos ensina a alquimia da sua própria essência, da sua metamorfose, da sua queda em palavra, em forma, em expressão. por exemplo, da ideia que se contenta em ser sorriso por humilde reconhecimento da nossa pobreza demiúrgica. por exemplo, uma cabeça pendida sobre o peito e o olhar perdido no abismo interior da nossa própria comiseração. por exemplo, um traço de luz no passado que nos fez emergir do absoluto que não reconhecemos ser do mesmo tom do arco-íris que nos recebe no lugar de sempre, aí, lá, aqui, por exemplo, onde já não somos.

x.24.MMVI

sexta-feira, outubro 20, 2006

#10



por exemplo, o atrito sonoro com o tempo, a cor da dúvida sobre o espaço que verdadeiramente roubamos ao mundo, a certeza do delírio em que se metamorfoseiam todas as respostas verdadeiras. por exemplo, a cegueira assassina da vaidade, o poder oculto do silêncio, a ínfima parte da razão que cabe até ao pensamento mais absurdo. por exemplo, uma dor, por exemplo, uma visão mística que nos surpreende o cepticismo, por exemplo, uma evidência insuportável, com o peso uniformemente distribuído entre o desejo e o terror, arte pura, por exemplo. um gesto pintalgado de divino, um sabor apreciado uma única vez, um sentido nunca usado, um mundo totalmente virado do avesso para nós, por exemplo, o contrário da percepção, um absorver para fora, uma luta com o sensorial, uma batalha pela impermeabilidade da alma, por exemplo. uma morte que nasce à flor da pele e se espalha pelo aroma do espírito, de dentro para fora, de cima a baixo.


x.11.MMVI

domingo, outubro 15, 2006

22


deixa perder-se em ti meu rasto
e que o mundo me procure apenas
no teu sorriso metamorfoseado
em dois condores de rubras penas

03.06.03

(in um barco de papel para Afrodite, 2003)

domingo, outubro 08, 2006

#9

por exemplo, vinhas ao longe e o mundo arredondava-se para anular o espaço, o vento ajudava a memória que te distorcia dentro de mim e o sol, embaraçado pelo egoísmo com que nos privou dos dias, escapava para detrás do infinito e não voltava mais. por exemplo, dançávamos a milhares de quilómetros de distância, ao mesmo tempo, sem sabermos o ritmo que embalava o outro, numa sintonia inconsciente, numa sinfonia de maestro incógnito, talvez com o amor como solista, talvez apenas qualquer metáfora aceitável em seu nome. por exemplo, atiravas o olhar para o horizonte e o mar provocava um arrepio nas rochas algures a poucos metros de mim e eu atravessava a duna descalço, em passos irreflectidos como um sonâmbulo, para alcançar o calor que ainda reverberasse sobre as águas como harmónicos da tua voz nunca escutada. por exemplo, um detalhe irregular no quotidiano, um aviso da lua, uma morte inesperada, um vulto irreconhecível, uma ausência do sempre ausente, por exemplo, a presença pesada da teu abrupta inexistência.

x.06.MMVI

sexta-feira, outubro 06, 2006

#8

por exemplo, quando o limite é ignorado intencionalmente, e deixa de fazer sentido chamar limite à sua ausência. por exemplo, uma queda sem ponto final deixa de ser queda e é condição, natureza, desígnio, esboço de eternidade.
por exemplo, a ignorância como esboço de sabedoria ou como sabedoria plena, o desejo como esboço completo da apatia, de indiferença. por exemplo, quando um orgasmo é um livro de apontamentos sobre o vazio, quando a alucinação é um rascunho vivo da monótona lucidez indesejada, ou quando, por exemplo, um homem é o esquema formal e insípido de um sonho.
por exemplo, um mistério, uma pergunta, uma inquietude, talvez um desejo à procura da hora incerta do reconhecimento do seu objecto, talvez uma pobreza maior que a mais temida das mediocridades, talvez, por exemplo, uma mentira auto-imposta por respeito ao rigor e à dignidade do não-saber.

ix.14.MMVI

domingo, outubro 01, 2006

XVII



um refúgio de pedra
dentro do cérebro
para as ideias sem
mãe racional nem
delirante paternidade
incógnita

colónia de férias
permanente
para as ideias inatas
ou geniais

um asilo
talvez

ou um beiral simples
de sombras arqueadas
pelo pensamento

(não quero saber!)
fico até que passe
mais um dia
mais uma vaga
monotonia mental.

29.05.03

(in o mundo e um pouco mais, 2003)

sábado, setembro 23, 2006

#7

por exemplo, o vitral a preto e branco desenhado com a ponta dos dedos no ar, imitando os contornos dos lábios um segundo antes do beijo, o vitral a preto e branco porque só o aro do risco à volta do vidro que não há pode reproduzir o desejo mais do que a realização.
por exemplo, uma flor em negativo, pétalas negras de veludo, assustadoras e graciosas como a beleza exponenciada sob o efeito da diferença, assustadoras e graciosas como uma memória mais nossa do que desejaríamos e ao mesmo tempo tão nossa como nós.
por exemplo, o negativo de um afecto, a indiferença que é já outra coisa no outro lado da indiferença, ou melhor, que é o amor num outro lugar, irreconhecível e familiar como um fantasma há muito não vislumbrado por ninguém ou confundido com uma sombra ou um reflexo.

viii.05.MMVI

domingo, setembro 17, 2006

1º andamento

II

Na fímbria de veludo do teu passado tens a
cor estampada da melancolia, nobreza que te
afasta do chão em que estou mergulhado há
duas eternidades e meia, sentimento nobre o
que serve de pretexto ao amor pelo eterno
sofrer em vão.

Amar a vacuidade do sentido desdobra em nós,
ontem, para sempre e agora, o véu multicolor
da dúvida e da ira, tanto para fora do limite
da língua que o expressa, o óculo mágico
da metamorfose, como para a profundeza da
angústia que o consome em golfadas de lucidez.

No caleidoscópio da incerteza vemos o que
não foi desenhado por deuses mas por espectros,
fantasmas de sangue mais negro que a noite
de sonho, mais quente que o sol apagado
num espectáculo silente e insano.

E regresso sempre ao veludo ancestral
desbotado numas cores e adulterado nos
tons da memória caprichosa, e brilham
os dias sombrios imaculados pela tristeza
e esfumam-se em tons cinza os beijos
redondos e os farrapos de êxtases
que guardavas em molduras de tempo
num museu que não chegou a abrir.

terça-feira, setembro 12, 2006

9. viagem ao antípoda do sentido

Num lado do cone, o vértice sem cor nem forma. Sem forma, apesar
de se confundir com um círculo imperfeito invisível. Mal desenhado como os dias e
as paredes dos cemitérios. Do outro, a base inútil.
Um cone feito de infinitos é como uma recta, mas as rectas têm cor.
Nos subúrbios da nossa capacidade de pensar, existe um tempo que não
se deixa manipular sem preço. Uma base inútil, porque não há cones que precisem
de tempo para se deixarem nele repousar. Um vértice é suficiente. Nem de cor
precisa.
Um cone tem um preço para se materializar em espaço. Numa dessas
esquinas sem rosto, percorre-se um labirinto infantil para chegar à condição
óbvia da nossa impotência estrutural.
Apesar de se confundir com um círculo imperfeito, o vértice não é inútil.

13.03.03
(in a densidade das almas, 2003)

sem título

refuto a letras lilases a condenação à plenitude
intuída em cada vereda íngreme
do pensamento maduro

27.04.03
(in a incerta permanência da dúvida, 2003)

sexta-feira, setembro 08, 2006

13


minha boca
perdida num
vale de joelhos
escarpados
naufrágio na
tentação

para lá do deserto
ventre duna
um oásis salgado
quente ilusão
húmida

25.05.03

(in um barco de papel para Afrodite, 2003)

segunda-feira, julho 31, 2006

sem título

até uma fina camada de nada
sobre o tudo de alguma coisa
nos continua a afastar sempre
do sentido completo da nossa
despojada doutrina do amor

17.04.03
(in a incerta permanência da dúvida, 2003)

quarta-feira, julho 19, 2006

três vultos de angústia


(teatro)

personagens:

o Mestre (também narrador)
uma Lágrima
o Vento
a Palavra (apenas voz amplificada)
o Discípulo

1º ACTO – a ausência

Quadro I

(Com um fundo, aparentemente pintado de fresco, representando abstractamente uma mulher sentada a ler, com o rosto triste, a cena deve estar envolta num ambiente frio e intelectual. O som circundante, caso seja composto para a ocasião, deve acompanhar, no que a música permitir, a sensação de desconforto, mas não deve deixar de enobrecer esse estado. Caso não seja original, sugere-se Coptic Light de Morton Feldman, The Unanswered Question de Charles Ives, Vox Balanae de George Crumb, ou outra obra que realize desta forma a fusão das matérias rarefeitas com a intencionalidade poética.)

Cena 1

o Vento, vestido de azul, sem gravata, obviamente, proclama como se recitasse de cor poemas de juventude:

- Irmãos do Norte, tragam
Brisas frescas e brilhantes
Vontades de saber constantes
Que nem os tempos ...

indignado pela introdução inoportuna, o Mestre interrompe bruscamente a récita, gritando desde lá do fundo:

- Alto! Isto ainda não começou! Isto ainda não podia ter começado. E a ter começado, que forma ridícula de começar ...

O Vento, surpreendido mas rapidamente recomposto, ...

sexta-feira, julho 14, 2006

8

a inusitada languidez
dos teus braços suspensos
num acaso feliz
sobre o (vermelho) tecido
assusta pela cálida
semelhança com a
morte precoce de
um ramo partido

14.05.03
(in um barco de papel para Afrodite, 2003)