sobre o pano, inquieta, deleita-se rubra
a cor do vinho, o cheiro como um músculo
pulsa nos sentidos mesclados de ironias – são
os olhos, sabias?, que lhe afagam o odor e o
travo a passado, passas do ano esquecido.
o tempo arredonda-se, como uma chama
imperturbável na macieza com que engana
o rio da angústia que as imagens alimentam
dentro da insónia – colheita de demónios
em forma de esperanças com sabor a fruta.
a líquida metamorfose de mim em néctar
fez-se na madrugada do dia que não houve.
aspiro a crescer dentro da terra, a respirar
o lume ritual, a beber o mar que me embala
a queda no redentor manto fúnebre de algas,
com as sereias homéricas a confirmar os sons
do crepitar da pele, da sede pútrida dos vermes.
escuto ainda o restolho num sussurro falso
natureza a implorar clemência à raiva que
contida ainda no peito ameaça queimar os
rios quebrar nuvens em pedaços coloridos
e fazer do último arco-íris cama de bordel.
Abr.01.MMV