nem o fluxo germinal imaginado
inibe o reflexo, muscular tumulto,
que ao desejado amplexo cede lugar
Mar.31.MMV
nem o fluxo germinal imaginado
inibe o reflexo, muscular tumulto,
que ao desejado amplexo cede lugar
Mar.31.MMV
insubmissão e revolta
é inútil o vazio como inútil é a fome
(surpresa envolta em clarões)
como pode a verdade estar mascarada de perfeição ou a perfeição em trajes de nulidade vã?
desfaz-se o sonho em cada manhã?
talvez não... talvez descanse apenas
e o som do sol a cair do outro lado
seja somente o eco desses sonhos...
(a dúvida que se impõe
é da cor das pupilas vítreas
de um mamífero desconhecido)
cai o véu do corpo da rarefação da alma
é desnudada assim na sua virginal beleza
esquálida, enfim, uma carcaça do deserto
que o tempo seco e pesado descarnou já
(grito por ver agora o ultraje
perpetrado pela verdade falsa)
ergo-me?
levanto os olhos?
caminho de rosto sombrio?
expulso a raiva num murro teológico?
Sim.
22.02.04
IV
Levanto-me e a manhã sabe-me a cinza, a pó. Talvez seja da madeira do chão, do tecto, ou apenas de mim. Tenho frio. Ouço passos; estou sozinho. Ouço passos novamente. Sobre a cadeira a roupa remexe-se desalinhada, como que acordada de um sonho em que vestia um príncipe. Os passos eram dele, e agora que saiu, ajudo a roupa a encontrar-se consigo mesma, vestindo-a no meu corpo.
Olho para a janela fechada e penso vagamente na hipótese de nada existir para além dela... nem sequer o vazio. Aproximo-me da porta e esta limitação espacial irrita-me. Preferia Ser sem Espaço, ou pelo menos sem Forma, o que já seria suficientemente delimitador. Com um sorriso, ironicamente, a porta convida-me a sair ...
Aceito.
No corredor a ausência de plantas surpreende-me.
Regresso e penso ...